Novas perspectivas frente aos testes em animais

A Colipa, além de manter a colaboração com o projeto Sens-it-iv, anunciou três novos teste in vitro para a substituição dos ensaios de sensibilização feitos em animais, cujo objetivo é predizer o potencial alergênico de uma substância química quando em contato com a pele.

Dois dos testes em questão baseiam-se no efeito das substâncias químicas nas células dendríticas, encontradas em grande quantidade na pele, participantes da resposta imune deste tecido. O primeiro deles – o human cell line activation test (h-CLAT) – foi desenvolvido por duas companhias japonesas, já foi testado em cinco laboratórios desde 2004 e foi considerado satisfatório. O segundo, desenvolvido pela L’Oreal e a Cosmitol AS (Procter & Gamble) será testado em outros laboratórios em breve.

O terceiro dos três testes anunciados se concentra no potencial preditivo da reatividade química de um componente frente às proteínas responsáveis por sua sensibilização.

Além disso, um grupo de pesquisadores do Rensselaer Polytechnic Institute, da Universidade da Califórnia, e da Solidus Biosciences desenvolveu dois biochips que, juntos, podem avaliar a toxicidade de produtos nos primeiros estágios de seu desenvolvimento.

Esses chips fornecem informações sobre toxicidade de maneira rápida e barata, indo ao encontro da necessidade dos produtos cosméticos de serem seguros e sem substâncias testadas em animais.

O primeiro deles, o DataChip, mimetiza a estrutura celular do corpo humano, pois compreende 1080 culturas de células humanas, permitindo um rápido screening da toxicidade potencial de substâncias químicas e fármacos em diferentes tipos de células humanas. Já o MetaChip, que mimetiza as reações metabólicas hepáticas, é importante porque muitas vezes uma substância benigna pode se tornar altamente tóxica quando metabolizada pelo fígado.

O objetivo principal desses chips é lidar com as necessidades principais de análise da toxicidade de um novo composto químico: o efeito nas diferentes células humanas e como a toxicidade é afetada durante a metabolização dessa substância.Opinião do autor: Resta saber quando – e a que custo – esses testes chegarão ao Brasil. Na Europa há um acordo de não se realizar mais testes em animais até 2009, por isso há uma corrida na pesquisa de métodos alternativos in vitro. O que realmente puder prevenir os testes em animais será muito bem visto, mas eliminar testes in vivo é uma realidade pouco provável. Em algum momento animais ou seres humanos terão de testar as novas substâncias, para garantir o uso seguro destas por milhões de consumidores.

Referências:
MONTAGUE-JONES, G. Animal testing alernatives developed for cosmetics. Acesso em 06/01/08.
BIRD, K. Progress in animal testing alternatives, says Colipa. Acesso em 15/01/2008.
MOO-YEAL, L. et al. Three-dimensional cellular microarray for high-throughput toxicology assays. PNAS, v.105, n.1, p.59-63, jan/2008.