E por falar em inovação…

Pode parecer óbvio, mas às vezes o conceito de inovação prega algumas peças nos desavisados. Para alguns, a inovação só existe quando se cria algo a partir do zero, como na ocasião da primeira TV, do primeiro carro ou mesmo do primeiro esmalte. Para outros, a inovação surge apenas quando se desperta um novo hábito entre os consumidores, de modo que alguns produtos se tornam obsoletos. No entanto, os pesquisadores e teóricos concordam que a inovação diz respeito à novidade e à mudança.

Em termos de novidade, a inovação pode ser entendida como “radical” ou “incremental”. As inovações radicais são aquelas que rompem com o status quo e introduzem algo nunca antes visto. Já as inovações incrementais são aquelas que introduzem melhorias em um produto ou processo já conhecidos. Em outras palavras, a novidade pode ser tanto grande (radical) quanto pequena (incremental). Um exemplo de inovação radical em cosmética ocorreu em 1958, quando pela primeira vez um silicone foi incorporado em um produto para os cuidados pessoais. Na ocasião, foi identificado que os benefícios de um tipo de silicone utilizado no tratamento de couros poderiam ser explorados em uma loção para as mãos, a fim de suavizar a pele seca. Desde então, diversas modificações sintéticas têm sido realizada na estrutura básica dos silicones, originado um vasto arsenal de inovações incrementais na química dos silicones com aplicação cosmética (veja mais sobre o histórico dos silicones aqui).

da câmera analógica para a digital muita coisa aconteceu em termos de inovação
da câmera analógica para a digital muita coisa aconteceu em termos de inovação
Foto: FreePhotosBank

Em termos de mudança, a inovação pode ser entendida como “conservadora” ou “disruptiva”. As inovações conservadoras são aquelas que vieram para satisfazer as necessidades de um mercado de consumidores já consolidado, que procura produtos cada vez melhores. Já as inovações disruptivas despertam a atenção dos consumidores para valores que até então eram desconhecidos ou impossíveis, gerando novos nichos de mercado. Essa diferença pode ser ilustrada com o embate entre as câmeras digitais e analógicas, que surpreendeu empresas como Kodak e Fuji e proporcionou novas perspectivas para empresas como HP e Canon. Por exemplo, os usuários de câmeras analógicas exigiam filmes fotográficos com maior qualidade de imagem e de reprodução de cores, assim diversas inovações (conservadoras) surgiram para atender tais demandas. Em paralelo, foi introduzida a câmera digital (disrupção), que embora inicialmente apresentasse qualidade de imagem inferior, permitia que os usuários contassem com a comodidade de apagar fotos indesejadas ou de não ter que esperar a revelação para ver como a foto ficou. Rapidamente, a tecnologia das câmeras digitais evoluiu, a qualidade das fotos melhorou e as câmeras analógicas tornaram-se obsoletas.

Retomando ao setor cosmético, alguns especialistas apostam nos ingredientes obtidos a partir de nanotecnologia como uma forma de inovação conservadora, uma vez que estas tecnologias são capazes de aumentar a eficácia dos ingredientes ativos e atender a demandas já existentes. Outros especialistas, por sua vez, ousam dizer que os nutricosméticos representam uma forma de inovação disruptiva, já que abriram as portas para o conceito de “tratamentos cosméticos de dentro para fora”. O fato é que poucos estudos têm tratado das inovações conservadoras e disruptivas no setor cosmético.

De qualquer forma, toda esta terminologia convida-nos a refletir sobre as inovações que produzimos em nosso ambiente de trabalho. Será que temos sido mais radicais ou incrementais? Mais conservadores ou disruptivos? Qual estratégia se adapta melhor às nossas necessidades? Certamente, uma reflexão como esta pode nos auxiliar a compreender o quanto podemos ser flexíveis para inovar.