A ciência por detrás dos nutricosméticos

Os nutricosméticos, ou cosméticos nutricionais, sustentam a ideia de que o que comemos influencia diretamente em como somos esteticamente. Há diferença conceitual entre cosmético nutricional e cosmético nutritivo; o primeiro prevê a ingestão de nutrientes com objetivo cosmético ou estético e o segundo, o uso de cosméticos com objetivo de nutrir a pele ou cabelos. Se for traduzir diretamente do inglês, parece que todos os termos são sinônimos, por isso é necessário criarmos aos poucos nossa própria terminologia para esse segmento. E eu espero que meu esforço esteja contribuindo um pouco neste sentido.

Em 2008, o mercado de nutricosméticos movimentou US$ 1,6 bilhões, com grandes oportunidades visto que a procura por esse tipo de produtos está em amplo crescimento dada a preocupação dos usuários em melhorar a aparência de sua pele, cabelos e unhas.

Enquanto alguns ingredientes de origem botânica são ditos benéficos para a saúde e beleza da pele, baseado apenas em sua capacidade antioxidante e na inferência de outros benefícios tópicos, muitos estudos e pesquisas acerca de seus reais benefícios dermatológicos ainda são escassos.

No entanto, alguns ingredientes muito conhecidos já foram submetidos a estudos clínicos em humanos que comprovam sua eficácia antioxidante. São eles coenzima Q10 (CoQ10), oliva, chá verde, romã e alguns carotenóides.

Coenzima Q10 é uma molécula endógena (que nosso corpo produz) e tem importante papel na síntese de ATP pelas mitocôndrias, apresentando efeitos antioxidantes. Os benefícios da CoQ10 para a pele via ingestão (consumo dietético) foram recentemente revisados.

Seus benefícios na aparência da pele devem-se a múltiplos mecanismos de ação, incluindo a proteção dos queratinócitos do dano oxidativo, estímulo da produção da matriz proteica extracelular e proliferação dos fibroblastos da derme.

Alguns estudos relatam que a soja e os probióticos auxiliam na manutenção do complexo cutâneo que envolve, além da aparência ou funções básicas, a redução da descoloração, a redução da reatividade cutânea e dá suporte à função imunológica da pele.

Muito pouco do que se tem disponível foi testado em humanos, a maioria diz respeito a testes em culturas de células e modelos pré-clínicos em animais. Os poucos estudos clínicos em humanos são promissores e nos alimentam a esperança de que, enquanto novos ingredientes são desenvolvidos, novas pesquisas comprobatórias são realizadas, especialmente de eficácia e segurança.

Opinião do autor: quem procurar bem encontrará muitas publicações científicas sobre a oliva, chá verde, romã, carotenóides e, é claro, Coenzima Q10. Basta ir atrás. Infelizmente o conhecimento nem sempre está pronto, resumido e sublinhado em nossa frente. Em uma analogia às aventuras de Dorothy no mundo de Oz, quando partimos em uma jornada em busca de algo específico, mesmo que com um único objetivo, encontramos coisas fascinantes que nem sempre estão relacionadas com o caminho principal, mas que nos modificam para sempre. O mesmo ocorre com o conhecimento: em busca de informações sobre a aplicação do óleo de oliva (é o azeite mesmo, mas o que a indústria usa é processado de maneira diferente) como antioxidante cutâneo, por exemplo, encontraremos tantas outras aplicações para esse ingrediente que nunca mais veremos essa matéria-prima da mesma forma. Só é importante se policiar para não se perder nas curiosidades e perder o foco, porque na vida real não adiantará muita coisa bater os calcanhares três vezes.

Referências:
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GRAMMENOU, E. What’s next for cosmeceuticals and nutricosmetics? GCI Magazine, April 2009.

Original: BLAIR, RM.; TABOR, A. The Science Behind Nutritional Cosmetics.

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